Dev + Eficiente Dia 5: Máquina de Aprender parte 4
Continuando no quinto dia, as aulas foram centradas na seleção de conteúdo de referência para compor as bases teóricas do programa de estudos. Como houve aulas com três temas diferentes, vou separar em seções para facilitar a leitura.
Matriz de teorias
Para não consumir conteúdo da Internet ou mesmo matricular-se num curso de pós-graduação presencial qualquer de forma aleatória, apenas porque é relacionado ao objetivo de aprendizagem, uma ferramenta se mostra muito eficaz: a matriz de teorias. Ela é uma forma muito simples de classificação de conteúdo, em que cada candidato a base teórica é classificado, em níveis de 1 a 5, segundo duas características, a confiabilidade do conteúdo e a facilidade de consumo.
A confiabilidade do conteúdo mostra o quanto aquele conteúdo condiz com a verdade e o quanto contém de informação relevante relacionada ao que se pretende estudar. Existem algumas formas de se entender a confiabilidade de um conteúdo que incluem mas não estão limitadas a:
- O conteúdo foi produzido pela pessoa que criou o item de estudo. Por exemplo, estudar CQRS pelo curso original de Udi Dahan1.
- O conteúdo é muito citado por outros. Muito aplicável no caso de artigos científicos.
- O conteúdo é focado no tema, sem apelos comerciais. Imagine cursos do tipo “Do básico ao avançado” de um tema muito complexo. Agora desconfie dele.
- O conteúdo tem muitas avaliações positivas. Em plataformas de cursos online, um curso com muitas visualizações e avaliação muito próxima de 5 numa escala de 0 a 5, tende a ser confiável.
- Documentação oficial de uma tecnologia.
- Código fonte de uma tecnologia. O código é a fonte primária da verdade, desde que haja um processo de publicação controlado, seguro e a partir de uma ramificação única, geralmente a main.
A facilidade de consumo tem a ver com disponibilidade, formato, extensão, linguagem e outros fatores que podem fazer o consumo do estudante ser mais fácil ou menos fácil. Há um componente pessoal ao entender a facilidade de algo, então dou alguns exemplos segundo a minha percepção. Ao classificar o consumo de um texto, uma postagem num blog é mais acessível que um artigo científico. Ao classificar o consumo em vídeo, é mais simples um vídeo de um influenciador técnico que uma videoaula acadêmica. Se o estudante é uma pessoa com deficiência, outras formas de acessibilidade serão requeridas para que o conteúdo ganhe um nível maior nessa classificação.
Uma vez classificados os conteúdos usando a matriz de teorias, o estudante pode decidir por onde começar, dependendo do seu nível de auto-eficácia. O ideal é que se escolha conteúdos com alta confiabilidade, mas com facilidade de consumo aceitável para o nível do estudante. Uma vez iniciado o estudo com conteúdos mais fáceis, é possível aumentar a complexidade aos poucos.
O mito do estilo de aprendizagem
Essa aula foi muito interessante para desmistificar um senso comum: pessoas diferentes aprendem melhor dependendo do estilo de aprendizagem. Aqui “estilo de aprendizagem” refere-se à forma com a qual a pessoa prefere consumir conteúdo, seja vídeo, áudio, texto, aulas práticas, etc.
Há uma grande variedade de artigos que mostram que ao terem seu aprendizado testado, o resultado do teste não tem correlação com o estilo de aprendizagem. Mesmo quando estudaram com um estilo diferente do que citavam como preferido, as pessoas, em média, não tinham alteração de desempenho.
O mito também carrega uma carga preconceituosa ou limitante ao classificar pessoas que alegadamente preferem consumir vídeos como pessoas visuais, e que podem ser separadas numa categoria específica. O que os estudos2 mostram é que as pessoas se beneficiam mais de abordagens de estudo mais diversas, sem limitá-las a gostos pessoais.
Teoria da carga cognitiva
A teoria da carga cognitiva de John Sweller3 trata do esforço usado na memória de trabalho. A memória de trabalho é um termo central na Neurociência que define a memória temporária utilizada no raciocínio, tomada de decisão e comportamento. Como a memória de trabalho é limitada em capacidade e duração, ao aprender, a pessoa deve minimizar a carga cognitiva, seja ela intrínseca, relativa a complexidade do conteúdo, ou extrínseca, relativa ao ambiente de aprendizado.
Então, se uma pessoa está estudando algo muito complexo, ela deve evitar fazê-lo em lugares barulhentos ou com interrupções constantes. Da mesma forma, se algo é mais simples, é mais fácil estudar com uma música de fundo.
Essa parte sobre bases teóricas tem muito conteúdo, mas está muito interessante. Despertou minha curiosidade para consultar outras fontes para compor meu conhecimento e conseguir explicar melhor aqui nessa postagem, mesmo que de forma resumida.
Semana que vem tem mais!